A vasectomia é um método de esterilização considerado altamente eficaz, devido o seu baixo índice de falha, que é menor do que 0,15%. É um procedimento cirúrgico de baixa complexidade, no qual é removido um trecho pequeno do ducto deferente direito e esquerdo em seu trajeto escrotal e, por isso, não há alteração no aspecto ou volume macroscópico do ejaculado.  O procedimento pode ser realizado com anestesia local e com duração média de 40 minutos, com um quadro de complicações bastante reduzido.

Dr. Gustavo Cruz esclarece que a vasectomia não afeta o desempenho sexual, pois os nervos e vasos sanguíneos envolvidos na ereção não são atingidos na cirurgia, o procedimento apenas interrompe a passagem dos espermatozoides dos testículos para o pênis. “O líquido seminal produzido pela próstata continua sendo ejaculado, mas sem o espermatozoide ”, explica.

A cirurgia interrompe a circulação dos espermatozoides conduzidos através do epidídimo – um tipo de tubo em forma de novelo que fica na parte superior dos testículos – para os canais deferentes que desembocam na uretra.

É um método contraceptivo eficaz. A vasectomia torna o homem estéril, mas não interfere na produção de hormônios masculinos nem no desempenho sexual, embora muitos tenham medo de uma possível impotência sexual estar relacionada, o que não passa de um mito.

É um procedimento simples, porém cirúrgico: Na sala de cirurgia, é feita uma pequena infiltração local com anestésico e uma incisão de 1 cm em cada lado do saco escrotal. O médico isola os diferentes canais que levam os espermatozoides do epidídimo para a uretra e anestesia de novo. Corta o deferente (canal que leva os espermatozoides até à uretra), introduz tecido conjuntivo entre os dois pontos e fecha a incisão

 

Foto: Site UOL.

 

Reversão

A vasectomia é reversível, mas a taxa de sucesso da cirurgia de reversão pode variar muito.

Em média, as reversões realizadas três ou quatro anos depois da vasectomia, em 90% dos casos o espermograma é bom e, em 70% existe a chance de a mulher engravidar. Nos casos em que o homem passou pelo procedimento há mais de 5 anos, a chance de sucesso com a reversão é bem menor.

À medida que o tempo passa, há uma hiperpressão no epidídimo que gera fibrose e o surgimento de obstruções abaixo do local onde foi realizada a ligadura. Embora o índice de repermeabilização seja o mesmo, os espermatozoides não aparecem, então, em vez de tirar aquele segmento e ligar os dois ductos deferentes, é preciso levá-los ao epidídimo num ponto proximal a esses que apresentam fibrose, fazendo uma conexão que deixa fora a área obstruída.

Outra característica é que a cirurgia de reversão é muito mais complicada e precisa ser realizada no hospital, com anestesia troncular, com a utilização de material de microcirurgia.

 

Riscos

Em 2% ou 3% dos casos, por alguma razão, forma-se um granuloma espermático na ligação do testículo e do deferente e um pouco de esperma acaba saindo. Assim, um ou dois meses depois, quem fez vasectomia deve fazer um espermograma, pois existe a chance de gravidez pela possibilidade de haver espermatozoides no esperma.

 

Planejamento Familiar e Legislação


O método é indicado no caso de um planejamento familiar muito bem pensado e estruturado, para quem já tem filhos e tem a certeza absoluta de que não quer mais, pois o resultado da esterilização é de grande eficácia , porém, não é tem como garantir que é possível  reverter o quadro depois, caso o homem venha a mudar de ideia no futuro.

A lei que regulamenta o planejamento familiar desde os anos 90, é a Lei 9.263/96, esclarece que “podem ser submetidos à cirurgia esterilizadora homens e mulheres com capacidade civil plena e maiores de 25 anos de idade ou, pelo menos, com dois filhos vivos”, conforme seu texto.

O Ministério da Saúde realiza, junto às secretarias de Saúde dos Estados, ações para facilitar o acesso do homem ao procedimento e a possibilidade de fazer a cirurgia em ambulatório médico, sem necessidade de internação. Assim, além da rede privada, o procedimento pode ser realizado também pelo SUS.

 

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Fontes de informações: Associação Europeia de Urologia, Sociedade Brasileira de Urologia e literatura médica. Jornalista responsável: Daniela Pereira – Mtb/PR 8120 - Direitos reservados.